Cisne Negro

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Quantos de nós estamos na incessante busca pela perfeição, com isso sufocamos uma parte do nosso eu para podermos viver e conviver? Quantos de nós possui a dualidade e com ela o medo dos julgamentos alheios nos faz sermos refugiados de nós mesmos?

Passamos uma vida inteira buscando a perfeição e atingir objetivos, que quando nos damos conta pode ser tarde demais. Essa reflexão me fez escolher este tema polêmico, a dualidade dos cisnes no filme Cisne Negro -(Black Swan – 2010) Gênero: Suspense – como inspiração. A transformação paralela de Nina, em como deixar de ser o Cisne Branco, doce, meigo, afetuoso para tornar-se o Cisne Negro voluptuoso, sedutor, devasso, envolvente e sensual.

O paralelo entre a maquiagem carregada e calmaria da natureza, a dureza das pedras e a leveza da renda. O olhar sério e a fluidez da água, o tecido molhado que segue na direção da correnteza. Me fez pensar que mesmo sem querer somos forçados a seguirmos cursos que muitas vezes não nos dão satisfação. A dificuldade para encontrar o lugar certo para fotografar é a mesma dificuldade que temos para nos encaixarmos no lugar que julgamos ser certo para nós. Esse ensaio simbolizou para mim a transgressão da bailarina que eu não pude ser, a libertação do meu Cisne Negro.

Neste dia eu me abracei, por todos os insultos absurdos que meu corpo gordo já recebeu. Me abracei por todas as vezes que eu me achei incapaz de fazer algo, por que alguém disse que eu seria. Me abracei por todas as vezes que eu levantei e fiz o que muitas pessoas diziam que um corpo gordo não pode fazer. Me abracei por todos os tabus que eu ultrapassei expondo o meu corpo. Me abracei por todas as mensagens lindas que eu já recebi de mulheres que estão no processo de aceitação e das que já se aceitaram também. Me abracei por sempre mostrar a minha verdade sem medo. Me abracei por todo o questionamento interno que ainda me assombra e eu consigo vencer todos os dias. Me abracei por que eu me escolhi e escolhi não sofrer. Me abracei por todo o entendimento que eu adquiri com o passar dos anos. Me abracei por que eu sempre estou mostrando para a vida que eu estou aqui, disponível para vivenciar as experiências e retirar crescimento delas. Me abracei diante de uma câmera, para poder te sugerir que faça o mesmo!

Quanto mais olhamos e damos atenção para aquilo que dói, colocamos a dor no processo da cura. Olhar até não doer mais, por que á partir do momento que conseguimos atingir este ápice… nada mais nos tira a paz.

Sim, tem umas estrias aparecendo e algumas imperfeições por que eu não sou de plástico, me aceitei todinha.


Fotografia: Lorene Scoz

Conjunto de lingerie feito sob medida (top e calcinha) : Inverse Intimates

Body 54: GGrie

Produção e maquiagem: Euzinha

Local: Nova Rússia – Garcia – Blumenau


Beijos Gordosóficos


 

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